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Entre galhos, aquarela e memórias: minha primeira aquarela ao ar livre no Parque das Caraibeiras

Foto do escritor: Eveli Rayane
Eveli Rayane
8 de out.
3 min de leitura

Atualizado: 8 de out.

Eu estava com a expectativa alta. Era primavera e muitas das árvores já estavam florindo, no entanto, existia um leve frio na barriga: não encontrá-las. A floração da espécie é breve, então eu sabia que existia esse risco, o de perder o momento certo. E isso, infelizmente, aconteceu. Gostaria muito de descrever a luz amarela que deveria irradiar naquele lugar. Todavia, posso dizer que estava lindo, mas não encontrei todas as flores e o brilho que tanto aguardei.

Observei toda a floração e acomodei minhas costas nas raízes de uma grande árvore. Parei, observei mais uma vez e avistei uma árvore com algumas flores. Era possível contemplá-la de onde eu estava, enquanto tomava o meu café da manhã acompanhado de minha mãe, que havia preparado um delicioso piquenique.

Existiam flores, no entanto, a floração não estava completa, várias já haviam caído. Acredito que irei retornar, mas, como preciso viajar para fazer todo esse percurso, será necessário aguardar até o início do próximo mês. Então, infelizmente, ficará mais difícil encontrar o momento “certo”.

Mesmo sem o brilho intenso tão aguardado, a surpresa não deixou de ser um sentimento que surgiu naquele lugar. Na última vez em que havia ido ao parque, a surpresa foi encontrar o riacho adormecido e as protagonistas foram duas árvores que ficavam dentro do riacho, não completamente submersas, mas com uma parte de suas estruturas dentro dele. Desta vez, uma das árvores estava no chão. Era exatamente a árvore que fotografei bem de perto e sobre a qual mencionei o espaço que existia dentro do tronco, com a possibilidade de abrigar animais, agora que o riacho não estava cheio, e servir de passagem para pequenos peixes durante o período do despertar.

Quando avistei essa cena, parei por um momento, tentando compreender o que havia acontecido. Alguém a derrubou? Fiz essa pergunta no mesmo instante, mas, logo em seguida, lembrei que ela parecia ser muito antiga e que sua parte interna ainda estava bem frágil.

Neste momento, a árvore que cresceu junto à outra, que ainda permanece em pé, agora tem boa parte de sua estrutura atravessando a passagem que, daqui a alguns meses, será coberta pela água. Sua base e suas raízes ainda permanecem junto ao outro tronco que está de pé e, quem sabe, com raízes entrelaçadas que cresceram ao longo do tempo e que talvez tenham fortalecido uma à outra, suportando o tempo dentro da água.


Depois dessa reflexão, voltei o meu olhar para a árvore que estava florida e com folhas. Porém, também existiam algumas particularidades. O tronco era bem similar ao da árvore caída. Existiam alguns galhos seguindo a mesma textura, mas, bem na parte da frente, um galho surgia cheio de vida. Era exatamente esse galho o responsável por toda a copa e pelas flores que estavam ali presentes.


Nesse momento, percebi que também se tratava de uma árvore antiga.

Comecei a fazer os primeiros traços e, logo em seguida, iniciei levemente as pinceladas, aquarelando todo o desenho. Registro aqui a minha primeira experiência de aquarelar ao ar livre. A experiência foi incrível, até mesmo no momento da visita do boi, que surgiu sem avisar. Ou melhor, eu estava ali sem avisar, já que aquele é o seu território. No primeiro momento que eu senti a sua presença, ele estava bem distante e imersa na minha observação, só percebi que ele se movimentou quando estava próximo, mas foi tranquilo e ele logo saiu buscando as plantinhas que tanto ruminava.


Permanecemos cerca de duas horas e, em seguida, retornamos por uma trilha incrível, repleta de curvas, ladeiras, árvores de umbuzeiro floridas e uma sensação agradável, pois estávamos longe da BR. E, por mais que existissem muitas árvores com poucas ou nenhuma folha, no caminho encontramos muitas árvores apresentando uma belíssima copa, o que contribuía para amenizar a temperatura.



E o que eu levei dessa expedição, além das calorias que foram queimadas? Caso eu decida listar, tenho certeza de que não vou conseguir contemplar tudo, mas os principais aprendizados foram: conhecer novos caminhos, viver um momento de pausa, reflexão e presença, além de desfrutar de um tempo de qualidade com a minha mãe. Sem distrações, tudo no nosso ritmo e, o mais importante, voltei inteira e pronta para iniciar a minha semana.

E você, caro(a) leitor(a), quando foi a última vez que se permitiu viver uma pausa sem pressa, tomar um café da manhã ao ar livre ou realizar alguma atividade sem cobrança?
Talvez o seu Parque das Caraibeiras esteja logo ali, na esquina, ou até mesmo no seu quintal.

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