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A folha em formato de coração: Jitirana (Ipomoea sericophylla)

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 5 de mai.
  • 1 min de leitura

Há plantas que chamam atenção pela flor. Outras, pelo silêncio com que crescem. A jitirana (Ipomoea sericophylla) é uma dessas presenças delicadas da paisagem sertaneja. Antes mesmo da floração, suas folhas já anunciam algo especial: muitas delas desenham, com naturalidade, a forma de um coração.

Encontrar uma dessas folhas no caminho é como perceber um pequeno gesto da natureza: simples, espontâneo e profundamente simbólico.




Folha Jitirana (Ipomoea sericophylla ) encontrada no início do mês de abril, na saída do Distrito de Pilar-BA
Folha Jitirana (Ipomoea sericophylla ) encontrada no início do mês de abril, na saída do Distrito de Pilar-BA

O coração que cresce na Caatinga


Muito comum no semiárido, a jitirana surge entre cercas, terrenos abertos e caminhos de terra, espalhando seus ramos leves e seu movimento quase espontâneo pela paisagem. Sua folha cordiforme (formato de coração), não é apenas bonita do ponto de vista visual. Ela carrega uma força poética silenciosa.

É como se a natureza insistisse em lembrar que sensibilidade também nasce em territórios áridos. No Sertão, onde tantas vezes se fala apenas de resistência, a jitirana também fala de delicadeza.


Observar antes de fotografar e desenhar


Quando encontro uma folha assim, não penso apenas em registrar, penso em observar.


Desenho em grafite da folha Jintirana
Desenho em grafite da folha Jintirana

O desenho botânico me ensinou isso: algumas formas merecem ser compreendidas antes de serem apenas capturadas.
Cada nervura, cada curva, cada assimetria revela uma inteligência silenciosa da planta. Desenhar é uma forma de permanência, a folha saiu do caminho e foi para o papel...



 
 
 

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