Mariana: três encontros, um olhar que amadurece no campo
- Eveli Rayane
- 6 de abr.
- 2 min de leitura
Algumas flores chegam primeiro pelo imaginário.
Meu primeiro encontro com a Mariana aconteceu durante a leitura do material Flores da Caatinga (CASTRO; CAVALCANTE, 2010), quando a espécie ainda habitava apenas o território da pesquisa e do imaginário.
Antes mesmo de vê-la no campo, a espécie já havia me encantado pela delicadeza das pétalas e pela beleza singular de sua forma. Naquele momento, ela parecia uma dessas flores raras que talvez permanecessem apenas no território da pesquisa, da imagem e do desejo de um dia encontrar.
Mas o campo sempre surpreende. O segundo encontro aconteceu no mês passado, em um período chuvoso. Eu estava pedalando e não esperava encontrá-la. Foi um encontro inesperado e profundamente encantador.
Quando a vi ao vivo pela primeira vez, meu olhar ficou completamente preso às pétalas e ao centro da flor. Havia uma delicadeza tão grande na estrutura floral que eu simplesmente não conseguia parar de contemplá-la. As pétalas pareciam concentrar toda a força poética daquele encontro.
Observei também as folhas e fiz fotografias, mas percebo que, naquele momento, o foco do meu olhar permaneceu quase inteiro na flor. O encantamento com as pétalas foi tão intenso que elas se tornaram o centro absoluto da observação.
Neste último final de semana, já no início de abril, aconteceu o terceiro encontro. No sábado, pedalei 46 km. No domingo, mais 20 km. E, nos dois percursos, encontrei novamente a Mariana.

Desta vez, a contemplação foi outra. A delicadeza das pétalas continuava presente, mas o meu olhar foi naturalmente conduzido para as folhas. O destaque desse reencontro estava nelas: a forma, a estrutura, o crescimento, a maneira como se organizavam no ramo e ocupavam o espaço ao redor.
Acredito que isso aconteceu porque estou aquarelando a segunda versão dessa flor e, neste momento da pintura, estou exatamente mergulhada no estudo das folhas. Talvez por isso o campo tenha direcionado meu olhar com tanta precisão.

No sábado, foi possível sentar perto da planta, observar de perto cada detalhe das folhas, fotografar, perceber a forma como cresciam e como se apresentavam naquele ambiente. Foi uma observação mais lenta, mais analítica e, ao mesmo tempo, profundamente conectada ao processo da aquarela.

É bonito perceber como cada encontro com a mesma espécie revela uma camada diferente. Primeiro, a flor chegou pela pesquisa.Depois, pelas pétalas.Agora, pelas folhas e com isso, o olhar também amadurece.
No próximo post, compartilho a segunda versão em aquarela da Mariana : uma pintura atravessada por esse reencontro de abril e pelo olhar atento às folhas.
Referências
CASTRO, Antonio Sérgio; CAVALCANTE, Arnóbio. Flores da caatinga. Campina Grande: Instituto Nacional do Semiárido, 2010, p.59 Disponível em: Flores da caatinga (PDF). Acesso em: jan. 2026.



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