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Moleque-duro (Varronia leucocephala): flor da Caatinga e notas de campo

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 27 de mar.
  • 1 min de leitura

Caminhar na Caatinga exige um tipo específico de atenção. Não é um olhar apressado, nem uma busca direta. É um estado de presença e com a chegada das chuvas, a paisagem se transforma: O verde se expande, e entre essa nova densidade, as flores aparecem lindamente.


Antes do desenho, existe o deslocamento. O corpo atravessa o espaço, e o olhar aprende a desacelerar. Observar, nesse contexto, não é apenas ver, é reconhecer ritmos, variações, permanência.


Em um desses deslocamentos, encontrei o Moleque-duro (Varronia leucocephala (Moric.) J.S. Mill., família Boraginaceae). Essas flores surgem, principalmente, durante a estação chuvosa.




A aproximação é sempre lenta. Observo a estrutura, o modo como as flores se organizam, a relação com o ramo, a luz, o entorno... Nem toda flor pede pressa e a parte essencial desse processo é o registro:

Anoto o local, observo o tipo de ambiente, a incidência de luz, o contexto em que a planta aparece. Sempre que possível, marco o ponto onde encontrei a espécie, porque o retorno também faz parte da pesquisa, pois voltar ao mesmo lugar, em outro tempo, permite compreender ciclos, variações e continuidades, percebendo o que muda e o que permanece.

Esse modo de trabalhar atravessa dois campos que me interessam profundamente: a arte e a observação científica.


O desenho que virá depois não nasce apenas da forma, mas da relação construída com aquilo que foi visto e sentido.



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