Sair do estúdio para aprender a olhar
Visitei uma feira de flores no final da tarde e foi um misto de sensações enquanto percorria os corredores das bancas. O primeiro olhar tentava captar todas as cores, o segundo buscava identificar as espécies já conhecidas, observando as formas e o comportamento das cores em cada pétala e folha.
Existia uma grande expectativa para saber como eram as formas das flores que, até então, eu havia visto apenas por fotografias. Muitas fotografias possuem uma qualidade surpreendente. No entanto, é muito diferente quando encontramos a flor à nossa frente. É como se uma película fosse removida, permitindo que outros detalhes sejam vistos e contemplados.
Neste ano, com o nascimento do Caderno de Campo da Caatinga, a partir da metodologia que venho adotando, percebi o quanto sair do meu estúdio impacta o desenvolvimento da minha arte botânica.
Não estou dizendo que as fotografias disponíveis na internet não ajudam no desenvolvimento, porque eu ainda as utilizo sempre que não consigo registrar com precisão algum detalhe. Mas sair de casa, sentir o vento bater no rosto e presenciar o sol tocar as pétalas faz sentido para mim.
As expedições têm contribuído bastante para o amadurecimento do meu olhar ou melhor, continuam contribuindo. A cada momento diante do real, aprendo algo novo, e isso é incrível.
Explorar ou simplesmente observar uma árvore, por exemplo, também pode nos proporcionar experiências que ultrapassam aquilo que estamos fazendo naquele momento. A pausa criada pela observação estabelece um pequeno intervalo no ritmo cotidiano e nos convida a desacelerar.
Talvez seja justamente nesse intervalo que outras coisas possam surgir: uma ideia para um desenho, uma frase para um texto, uma nova percepção sobre aquilo que está ao nosso redor.
E existe ainda outra possibilidade: quando começamos a observar o lugar onde vivemos, ele deixa de ser apenas um cenário. Passamos a reconhecer suas árvores, suas flores, suas cores e suas transformações. Aos poucos, começamos a construir uma relação diferente com o território.
E você, já tentou parar e olhar, com um pouco mais de atenção, para a árvore que está presente no seu bairro, na sua rua ou até mesmo para a plantinha que você cultiva em casa?

Não precisa saber o nome.
Não precisa desenhar.
Não precisa fotografar.
Apenas pare por alguns minutos.
Faça uma pausa. Observe.
E depois perceba o que esse pequeno gesto pode trazer para o seu dia: uma ideia nova, uma sensação de calma, um detalhe que antes passava despercebido ou simplesmente alguns minutos de presença.
Talvez, aos poucos, você descubra que observar também é uma forma de se aproximar do lugar onde vive e de si mesmo.



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