A segunda aquarela da Mariana: quando o campo muda a pintura
- Eveli Rayane
- 10 de abr.
- 2 min de leitura
Na sexta-feira, a aquarela da Mariana chega ao blog como continuidade de um encontro que começou muito antes do papel.
Depois de três momentos distintos com a espécie: Primeiro na pesquisa, depois no campo durante o período chuvoso e, mais recentemente, no reencontro de abril durante os pedais do fim de semana, percebo com clareza como a pintura foi atravessada por um novo tipo de observação.
Nesta segunda versão da aquarela, o meu olhar já não estava concentrado apenas na delicadeza das pétalas, embora elas continuem sendo um dos aspectos mais encantadores da espécie. Desta vez, as folhas passaram a ocupar um lugar central no processo.
O reencontro no campo, especialmente no sábado, quando foi possível sentar e observar a planta com calma, trouxe informações visuais muito importantes para a pintura: a direção do crescimento, a forma das folhas, o ritmo do ramo e a maneira como a espécie se organiza no espaço.
Ao voltar para a mesa de trabalho, percebi que a aquarela já não era apenas uma representação da flor, ela havia se tornado também uma tradução do percurso, do deslocamento pelo território, da pausa para observar e do amadurecimento do olhar.

As folhas, que no primeiro encontro ficaram em segundo plano, agora ganharam protagonismo.
Foi como se o campo tivesse completado aquilo que a primeira pintura ainda não conseguia alcançar.
A segunda versão da Mariana nasce justamente desse aprofundamento: um olhar que já conhece a delicadeza das pétalas, mas que agora compreende melhor a estrutura viva da espécie.

É nesse ponto que a observação transforma a técnica. A aquarela deixa de ser apenas beleza e passa a carregar também experiência, presença e memória do território.
Flor Mariana, continua.
Ao longo desta semana, a mesma espécie seguirá atravessando o caderno de campo e a pintura, em novas observações, camadas e processos.



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