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Mariana (Commelina erecta): do grafite à aquarela, um estudo em processo

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 30 de mar.
  • 2 min de leitura

A Mariana (Commelina erecta), com seu azul intenso e brilho delicado, continua se revelando em camadas no meu processo de observação e pintura. Depois do encontro em campo e do registro inicial no Caderno de Campo da Caatinga, iniciei na semana passada um estudo em duas etapas: primeiro o desenho em grafite, seguido pela primeira interpretação em aquarela.

O estudo começou no grafite, como forma de compreender melhor a estrutura da flor, a organização das pétalas, a delicadeza dos estames e a relação entre transparência e forma. Essa etapa foi essencial para desacelerar o olhar e construir intimidade com a espécie.




Processo da autora: Desenho em grafite da Mariana (Commelina erecta)
Processo da autora: Desenho em grafite da Mariana (Commelina erecta)


Em seguida, transferi o desenho para o papel de aquarela utilizando a mesa de luz, preservando a leveza do traço e garantindo fidelidade à estrutura observada. Depois da transferência, utilizei a borracha limpa-tipos para retirar o excesso do grafite e manter o papel limpo, pronto para receber as primeiras camadas de cor.


Na aquarela, iniciei pela blocagem das formas e das massas principais de cor, buscando compreender o comportamento do azul e suas variações sutis. Aos poucos, avancei para as sombras, refinamento dos contornos e a delicadeza das pétalas.

Um dos pontos que mais me chamou atenção nessa flor foi o leve brilho presente na superfície das pétalas. Para sugerir essa luminosidade, utilizei o pincel mais fino do estúdio e apliquei pequenos pontos de guache, tentando representar a textura luminosa que a Mariana revela quando observada de perto.



Processo da autora: Pintura em aquarela da Mariana (Commelina erecta)
Processo da autora: Pintura em aquarela da Mariana (Commelina erecta)


Embora eu tenha finalizado esta primeira versão do estudo, sinto que a flor ainda pede outro caminho. Algumas decisões tomadas durante a pintura abriram em mim a curiosidade de experimentar uma nova abordagem, especialmente em relação à transparência do azul e ao modo como a luz atravessa as pétalas. Por isso, darei continuidade a essa investigação nesta semana, testando outras escolhas técnicas e observando como pequenas mudanças no processo podem gerar resultados visuais distintos.



Processo da autora: Pintura em aquarela da Mariana (Commelina erecta)
Processo da autora: Pintura em aquarela da Mariana (Commelina erecta)

Mais do que concluir uma pintura, este estudo me interessa como campo de experimentação, onde a flor continua ensinando novas possibilidades de ver e traduzir.
A Mariana, mais uma vez, confirma aquilo que senti no primeiro encontro: é um azul que pede presença.

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