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Mariana (Commelina erecta): o azul que pede presença

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 24 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 31 de mar.

Saí de casa naquele dia com uma intenção simples: observar. Havia em mim um pressentimento de que encontraria diferentes flores pelo caminho. Não sabia quais, nem onde, então apenas corri com o olhar atento.


Foi durante o treino que ela apareceu, um pequeno ponto azul, quase silencioso, entre o verde e o chão... Parei imediatamente.


A Mariana (Commelina erecta) é uma dessas flores que exigem presença. Rasteira, discreta, organizada em pequenas sequências ao longo do caule, ela não se impõe, ela se revela.


O que mais me chamou atenção foi a delicadeza: suas pétalas possuem um leve brilho e uma transparência sutil nas partes inferiores, criando uma sensação de fragilidade luminosa, como se a luz atravessasse a própria flor. E, para torná-la ainda mais encantadora, pequenas estruturas amarelas (seus estames) emergem do centro, contrastando com o azul intenso, com nuances que tendem ao azul-violeta sob a luz.


Registro de campo: Eveli Rayane
Registro de campo: Eveli Rayane


Ali, no município de Jaguarari–BA, no distrito de Pilar, registrei não apenas a imagem, mas o lugar. Guardei referências do caminho, pontos de retorno, porque algumas flores não são apenas vistas, elas são reencontradas.


É importante destacar que esse encontro também diz muito sobre o olhar: eu só a encontrei porque estava buscando e, mesmo em movimento, havia contemplação.


A Mariana não é uma flor que grita presença. Ela exige sensibilidade e talvez seja exatamente isso que mais me interessa nesse processo: contemplar o que quase passa despercebido.



Características botânicas (observação inicial)



  • Hábito: planta herbácea, rasteira;

  • Crescimento: em sequência ao longo do caule;

  • Cor: azul intenso, com variações sutis para o azul-violeta;

  • Estrutura: contraste entre pétalas mais opacas e áreas levemente translúcidas;

  • Estruturas reprodutivas: estames amarelos evidentes no centro;

  • Ocorrência: comum em ambientes abertos e bordas de caminho;

  • Escala: pequena — exige aproximação.




Processo artístico (em desenvolvimento)


Este registro não termina na fotografia. A partir desse encontro, inicio um estudo em três etapas:


  • Rascunho em grafite — compreensão estrutural;

  • Estudo de forma e proporção — ajuste do desenho;

  • Aquarela botânica — investigação de cor, transparência e luz.


A Mariana inaugura, para mim, um campo muito específico:


O estudo das flores miúdas da Caatinga, aquelas que, quando encontradas, encantam de forma silenciosa e se tornam grandiosas no olhar.


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