Caderno de Campo da Caatinga: o início de um olhar
- Eveli Rayane
- 17 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 31 de mar.
Durante muito tempo, meu encontro com as flores foi silencioso. Eu caminhava, observava e registrava em fotografia. Essas imagens não eram apenas registros, eram pequenas pausas no dia.
Muitas vezes, eu as compartilhava como inspiração do dia no Instagram. As cores, as formas e a presença dessas flores atravessavam a rotina e transformavam o modo como eu via o território. Era uma forma de lembrar a mim e a outros que existe beleza no caminho.
Quando o olhar se transforma
Em 2025, algo começou a se transformar.
Eu já desenhava flores antes. Nos meus cadernos mais antigos, encontro tentativas: mandacaru, pétalas, formas observadas com interesse. Mas, naquele momento, o gesto começou a ganhar outra direção e as fotografias deixaram de ser apenas inspiração e passaram a carregar uma intenção: observar para compreender, compreender para desenhar.
Mais do que desenhar
Hoje, percebo que essa mudança não é apenas técnica. Ela é também um aprofundamento do sentido. Não se trata apenas de achar uma flor bonita, mas de registrar, através da arte, a flora da Caatinga, de tornar visível aquilo que muitas vezes passa despercebido:
Flores pequenas à beira do caminho;
Espécies que florescem em silêncio;
Formas que exigem atenção para serem vistas.
Existe beleza nesse território e ela pede presença.
O dia do encontro
Em um dos meus treinos de corrida (percurso de 21 km - Distrito de Pilar -BA) levei a câmera comigo.
No meio do caminho, encontrei algumas flores.
Entre elas, uma me chamou de forma especial: a flor do mandacaru, completamente aberta.

Um encontro diferente
Essa não foi a primeira vez que encontrei uma flor de mandacaru. Eu já havia registrado antes, em outro contexto. Mas, dessa vez, o encontro foi diferente, porque o olhar era outro.
Anteriormente, eu já havia feito um estudo em grafite dessa flor.
Mas ele partiu de imagens disponíveis na internet. Referências úteis, porém limitadas.
Sem a presença da planta, alguns detalhes não se revelam.
O que só o campo mostra
Ao observar a flor diretamente, percebi aspectos que antes não estavam visíveis:
Variações na estrutura interna;
Detalhes nos estames;
Relações de profundidade e forma.
Esses elementos transformaram completamente a forma como compreendo a flor.
O corpo no território
Esse encontro não foi apenas visual. Eu estava em movimento, no meio do percurso e parar, observar, aproximar-se da planta: tudo isso faz parte da experiência.

O início de um caderno
É a partir desse momento que passo a organizar esse processo de forma mais consciente.
Nasce, então, o🌿 Caderno de Campo da Caatinga.
Um espaço onde observação, desenho e pintura se encontram: Mais do que registrar formas, esse processo é um exercício de atenção.
Aprender a ver o que sempre esteve presente.
E, talvez, compartilhar esse olhar, para que outras pessoas também possam reconhecer a beleza que existe no caminho.

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