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Flor do Mandacaru: observação botânica no Caderno de Campo da Caatinga

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 17 de mar.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 31 de mar.

Mandacaru: quando o desenho encontra a flor


Antes de encontrar essa flor no caminho, eu já havia desenhado a flor do mandacaru. O primeiro estudo nasceu de imagens que encontrei na internet. Eram fotografias bonitas, úteis como referência, e me ajudaram a compreender a forma geral da flor: as pétalas longas, o centro luminoso, o contraste com o verde espinhoso do cacto.

Todavia, naquele momento, o desenho ainda era uma aproximação. Um exercício de observação mediado por telas e somente depois, no encontro com a flor (Cereus jamacaru) aberta diante de mim, que percebi o quanto ainda havia para ver.



O primeiro estudo



Ao desenhar a partir das imagens, concentrei-me principalmente na estrutura externa da flor: a abertura das pétalas, o eixo central, o contraste de luz. Mas alguns detalhes permaneciam silenciosos.





O encontro com a flor


Quando finalmente encontrei a flor aberta no campo, a experiência foi diferente. A flor não era apenas uma forma. Ela tinha profundidade, ritmo, variações sutis que as imagens não mostravam completamente. Ao me aproximar, percebi coisas que antes tinham passado despercebidas.



Registro de campo: Eveli Rayane (Flor de mandacaru (Cereus jamacaru DC. Cactaceae))
Registro de campo: Eveli Rayane (Flor de mandacaru (Cereus jamacaru DC. Cactaceae))


O que o olho descobre ao vivo


Observando a flor diretamente, alguns detalhes começaram a aparecer com mais clareza:

  • variações na estrutura dos estames;

  • diferenças de tamanho e direção entre eles;

  • a forma como alguns se curvam levemente em direção ao centro;

  • a delicadeza da transição entre os estames e o pistilo.


Essas pequenas diferenças mudaram completamente a forma como compreendo a flor.

Aquilo que antes era apenas um centro luminoso no desenho passou a se revelar como uma estrutura complexa e cheia de movimento.


Registro de campo: Eveli Rayane (mandacaru (Cereus jamacaru DC. Cactaceae))
Registro de campo: Eveli Rayane (mandacaru (Cereus jamacaru DC. Cactaceae))


O que muda no desenho


Perceber esses detalhes transforma o modo de desenhar. O gesto deixa de ser apenas uma reprodução da forma e passa a ser um exercício de atenção.

Cada linha começa a carregar uma tentativa de compreender a planta: como ela se abre, como se organiza, como ocupa o espaço.


Desenhar, nesse momento, torna-se uma forma de estudar.



No caderno de campo


Esse encontro com a flor marcou uma pequena mudança no meu processo. Antes, o desenho vinha das imagens, agora, ele começa a nascer do encontro com a planta e o caderno de campo passa a registrar não apenas as formas das flores da Caatinga, mas também aquilo que o olhar aprende ao observá-las com calma.


Fica aqui o convite de desenhar novamente a flor do mandacaru (Cereus jamacaru DC. Cactaceae.

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