Cores, lápis e sentimentos: o diário por trás do Buquê da Primavera
Todas as primaveras, eu me recordo de como sempre contemplava as cores que surgiam pelo meu caminho. Quase todas iam para a minha galeria, mas nenhuma para o papel. No ano passado, pela primeira vez, criei uma composição com base nas árvores que mais me encantaram: o “Buquê da Primavera do Sertão”. Para essa composição, desenhei e aquarelei um buquê com as flores da caraibeira, do ipê-roxo e do ipê-rosa.

Lembro-me de que aquarelar todas essas cores energizava todo o meu ser. Era impressionante como cada cor trazia uma sensação diferente. E confesso: gosto muito do amarelo. Sinto que essa cor ilumina a minha produção de uma maneira muito especial sempre que trabalho com ela.
Além de iluminar o momento, cada pincelada realizada me deixava mais atenta. De acordo com Perryman (2025, p. 107), autora do livro A bíblia das cores, “[...] estudos mostram que o amarelo pode nos deixar mais alertas e energizados, melhorar a nossa memória e incentivar a comunicação”.
Considerando essa citação, consigo compreender um pouco do que senti ao aquarelar com essa cor. Todavia, o “Buquê da Primavera do Sertão” não ficou apenas no amarelo. O rosa e o roxo aparecem na parte superior do buquê e podem remeter ao amor, à feminilidade, ao carinho, à espiritualidade, ao poder e à criatividade. Já na parte inferior, o verde sustenta a composição, o qual está ligado diretamente a natureza, mas que também possui os seus significados.
Todas essas cores possuem seus próprios significados, o que enriquece ainda mais a obra, não apenas visualmente, mas também pelas sensações e significados que podem transmitir a quem está no ambiente. Gosto de trabalhar com as cores, fazer as misturas e criar a partir das cores presentes no meu estojo as cores que estão na espécie observada. Além das cores, descobri ha pouco tempo que gosto também como as diferentes graduações dos lápis se comportam e eu também acresdito que isso possuie um signiifcado, não apenas no diz repeito a cor ou a falta dela, mas em como eu me sinto trabalhando com o material naquele momento é também uma resposta do meu olhar, da minha observação de cada espécie, que muiotas vezes, já consigo definir em como vou representar no momento que estou no campo e esse sentimento me guia até o último traço ou pincelada.
Gosto de trabalhar com as cores, fazer misturas e criar, a partir das cores presentes no meu estojo, aquelas que encontro na espécie observada. Além das cores, descobri, há pouco tempo, que também gosto de perceber como as diferentes graduações dos lápis se comportam. Acredito que isso também possui um significado, não apenas no que diz respeito à presença ou à ausência da cor, mas à maneira como me sinto trabalhando com o material naquele momento. Isso também é uma resposta do meu olhar, da minha observação de cada espécie. Muitas vezes, ainda no campo, já consigo definir como vou representá-la. Esse sentimento me guia até o último traço ou a última pincelada.
Talvez, ao ler esse post, você também possa começar a perceber as cores de outra maneira. Já parou para pensar em como elas influenciam o nosso dia a dia, as nossas sensações e até a maneira como percebemos um lugar? E, se você também é artista, talvez já tenha percebido que algumas cores simplesmente nos conduzem. Há aquelas que escolhemos conscientemente e outras que parecem nos encontrar primeiro.
Acho interessante e importante observar e refletir pequenas sensações que podem trazer grandes significados.
Referência
PERRYMAN, Laura. A bíblia das cores: o guia definitivo das cores na arte e no design. Tradução de Joaquim Oliveira. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2025.



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