Da observação ao grafite: criando uma arte botânica em tamanho A2
Por mais que a cidade esteja florescendo, estou com dificuldades para encontrar um local onde eu possa parar por alguns instantes, tirar o meu sketchbook da bolsa e começar a rabiscar alguns traços, ajustando, apagando, até o momento de ver os rabiscos se transformando em flores. Além disso, boa parte das árvores que encontro são altas, e isso dificulta a observação dos detalhes, mesmo com várias caraibeiras florescendo pela cidade.
Quando paro para observar, gosto de olhar cada detalhe bem de perto. Também é importante para mim que a flor não esteja machucada nem murchando, uma realidade que venho enfrentando nos últimos dias. Como as árvores são altas, consigo analisar as flores que estão caídas no chão, mas, como essa espécie é bastante delicada, é muito raro encontrar uma em boas condições.
Nesta última semana, enquanto estava correndo, encontrei uma árvore que não era alta e estava florescendo lindamente. Então, consegui visualizar de perto todos os detalhes e também foi possível registrar algumas fotografias.
O interessante é que, antes desse encontro, eu estava fazendo a composição da minha primeira arte em grafite no tamanho A2. Porém, algumas das referências não haviam sido desenvolvidas por mim. Busquei fotografias na internet e também tentei seguir algumas formas que consegui capturar de longe, mas, quando dava zoom, a qualidade não ficava tão boa, já que eu estava muito distante.
Mesmo com as dificuldades, segui com o desenvolvimento da composição por dois dias. Quando estava quase concluindo, encontrei essa árvore, e ela me mostrou o que estava faltando... Então, retirei o papel da minha prancheta inclinada e coloquei um papel em branco... A partir desse momento, o meu traço passou a seguir apenas uma referência, e eu ainda conseguia lembrar de como a flor se comportava quando o sol iluminava sua superfície lisa e estruturada.
Hoje, a estrutura inicial do meu desenho já está pronta. Tudo fluiu de maneira muito natural, assim como aconteceu nas últimas produções: encontro, observação, registro e, somente depois, os primeiros traços. Percebo que esse caminho caminho traz uma certa segurança, não que eu esteja buscando desenhar no estilo hiper-realista, mas, se quero representar uma pétala de maneira diferente, preciso saber o porquê de estar fazendo isso e onde exatamente estou alterando...E, para fazer essa alteração, sinto que preciso conhecer a espécie e não apenas sair desenhando.
Talvez muitos pensem que a arte precisa ser livre, mas, para mim, na minha arte, para ter essa liberdade, eu preciso conhecer. Somente assim consigo representar, a partir do meu olhar.
E, quanto mais observo e desenho, mais percebo o quanto sair do estúdio faz toda a diferença. O que poderia ser visto como uma “falta de criatividade”, por exemplo, o fato de eu não conseguir chegar ao ponto de dizer: “É essa a estrutura que eu quero para a minha primeira arte no tamanho A2”, passou a ser entendido de outra maneira e talvez fosse simplesmente a vida me dizendo: “Eveli, você precisa sair. E, com certeza, esta primavera vai te presentear com uma floração inspiradora e viável para a observação.” Portanto, tudo depende de como você decide lidar com as situações e de estar aberto para ver, sentir, observar e vivenciar.
Obs: Falo sobre arte, mas talvez isso também possa ser levado para outros campos da nossa vida e assim, mais uma vez vejo o quanto consigo aprender com a pausa e a reflexão.
Sobre o material que estou utilizando: Não comprei papel A2 para fazer o rascunho, então colei duas folhas no tamanho A3 e segui com o desenvolvimento da composição. Esse papel canson milimetrado permite que eu apague varias vezes sem manchar. Estou utilizando ele, mesmo quando nao uso o Método Grid. Além de facilitar no momento de apagar, consigo visualizar bem os traços na mesa de luz. No post da obra, vou detalhar mais o material utilizado, assim como também o processo.



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