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Observação botânica: Flores que continuam habitando o olhar

  • Foto do escritor: Eveli Rayane
    Eveli Rayane
  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

A observação botânica tem transformado minha forma de reencontrar espécies, pois quando encontro novamente uma flor que já aquarelei, a sensação nunca é a mesma de um primeiro olhar. Existe algo diferente nesses reencontros, como se aquela espécie já habitasse também o papel, a memória e o processo de observação.


Muitas vezes, o encontro desperta vontade de voltar ao estudo. Não porque ele esteja incompleto, mas porque a própria observação continua mudando. Sempre aparece um detalhe novo: a forma de uma folha, a direção da luz, a transparência de uma pétala, a sombra que antes passou despercebida.


Tenho sentido isso especialmente com a Jitirana. Ao reencontrá-la, percebo que algumas partes continuam me chamando de volta, principalmente as folhas. É como se o desenho ainda permanecesse aberto para novas observações.

E talvez seja justamente isso que mais me encanta nesse processo: o estudo nunca termina completamente.

Antes do desenho, existe a contemplação. O instante de achar bonito, de observar a cor, o movimento, perceber se existe aroma, textura ou delicadeza no modo como a flor ocupa a paisagem...

Depois vem a descoberta. Muitas vezes encontro espécies que ainda não conheço e começo então uma busca silenciosa por identificação e compreensão, recorrendo a livros, materiais já publicados, registros botânicos e pesquisas que ajudam a aproximar o olhar da espécie observada.

Só depois começo os estudos.

Durante muito tempo, eu partia diretamente para a aquarela. Hoje, o grafite passou a fazer parte desse caminho.

Além de se tornar uma linguagem artística própria, o estudo em grafite tem me ajudado a observar com mais profundidade a luz, as sombras, os contrastes e a estrutura das formas vegetais e percebo que isso transforma também a aquarela.

O olhar chega mais atento, seguro e consciente das áreas de luz, dos vazios do papel e das delicadezas que precisam permanecer.

Talvez por isso cada reencontro com uma flor aquarelada carregue uma emoção tão específica, porque depois do desenho, nunca mais se olha da mesma forma.

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